segunda-feira, 8 de abril de 2013

DON JUAN DE MARCO - CENA 4



É preciso muita ousadia e percepção do "Outro" para penetrar em seu mundo, saber exatamente o que separa o fantástico, a fantasia e a realidade. Temos que seguir os padrões? Apenas com empatia e espelhamento, vamos nos permitindo conhecer a linha tênue que separa a loucura da normalidade, e quem poderá dizer que é loucura o fato de o "outro" viver intensamente aquilo em que acredita para ser simplesmente feliz!? É preciso mais que empatia, é necessário que o ser humano se confronte e incorpore a alteridade em suas vidas!

domingo, 7 de abril de 2013

DON JUAN DE MARCO - CENA 3


O que faria você mudar seus planos e decidir continuar? 
Um psiquiatra prestes a se aposentar insiste em assumir o caso de Don Juan De Marco...
Mera vaidade? Creio que não!
Faço minha aposta na capacidade de nos inquietarmos ante desafios, na nossa condição humana de buscar para o outro a dignidade que de outra forma não alcançaria. 
É patético quando o "outro" quer definir a nossa hora de parar... É patético quando o "outro" quer saber de você o que não reconhece em si mesmo.
Pergunto: De que maneira somos afetados quando permitimos intervenções distorcidas acerca de nossas escolhas? Quem poderá decidir quem sou, como sou, o que faço bem, o que devo fazer para continuar caminhando nos meandros da emoção, da fantasia e do real? Em que ponto da cena as personagens se confundem?
Continuo esperando feedback! bjs

sexta-feira, 5 de abril de 2013

DON JUAN DE MARCO - CENA 2




DON JUAN DE MARCO DECIDE TIRAR A PRÓPRIA VIDA... 
UM PSIQUIATRA É CHAMADO...

Será que Freud começou assim?

Não podemos dizer como Freud se comportaria, mas a cena nos revela onde houve empatia, ou melhor, alteridade, a ferramenta eficaz nas comunicações.
Quando nos comunicamos com outra pessoa, percebemos sua reação e reagimos de acordo com nossos sentimentos e pensamentos. Nosso comportamento é gerado pelas reações internas àquilo que vemos e ouvimos. Só prestando atenção ao outro teremos uma ideia do que dizer ou fazer em seguida. E o outro reage ao nosso comportamento da mesma forma.
A comunicação envolve muito mais do que apenas palavras. As palavras são apenas uma pequena parte da nossa capacidade de expressão como seres humanos.
Precisamos reconhecer e respeitar o modelo de mundo do outro mantendo a própria integridade. A isso, em PNL, chamamos "rapport". Para envolver-se em alteridade, devemos nos juntar à dança da outra pessoa, reproduzindo sua linguagem corporal com sensibilidade e de maneira respeitosa. Dessa forma, uma ponte será construída entre você e o modelo de mundo da outra pessoa.
Em que momento da cena foi estabelecido o rapport entre o Psiquiatra e Don Juan De Marco?
Aguardo feedback, bjs!

terça-feira, 2 de abril de 2013

DON JUAN DE MARCO - CENA 1


Somos o quê e quem acreditamos ser... Quem poderá contestar?
O que define ou distingue "normalidade" e "loucura"?
Quem pode assegurar o que é a minha realidade ou a minha fantasia?


"Consciência, na forma mais comum de pensar, de seus níveis mais básicos e mais complexos, é um padrão mental unido que junta objeto e self." (Damásio)

segunda-feira, 1 de abril de 2013

DON JUAN DE MARCO: O MAIOR AMANTE DO MUNDO - UMA RELEITURA DOS CONCEITOS DE NORMALIDADE E LOUCURA ATRAVÉS DA PNL



Sinopse: Um jovem de 21 anos dizendo ser o famoso amante Don Juan vai até Nova York para encontrar seu amor perdido, mas, sentindo que seu objetivo não será alcançado tenta se matar. Um psiquiatra, chamado pela polícia, consegue convencê-lo a mudar de ideia e a tratá-lo sem uso das práticas convencionais, sem medicamentos. Ao longo do tratamento o paciente começa a influenciar o comportamento do médico. (adaptado do site "Golfinho")
Sem a pretensão de arguir a parte médica/clínica, desejo fazer uma releitura dos conceitos tradicionais que permeiam o senso comum sobre os limites entre a normalidade e a loucura. Em que ponto de nossas vidas deixamos de sonhar? O que nos faz paralisar ante ao amor? Onde se perderam nossos desejos, nossas mais conflitantes necessidades de afeto? Em qual realidade estaremos vivendo?
Vamos dialogar sobre o tema?
Tania Loos

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

UM PORTO SEGURO PARA O RIO DE JANEIRO... A NAU ESTÁ NA NÓIA



QUEM PAGARÁ ESSA CONTA?

Tania Loos1



O Governo Municipal anunciou a intenção de pagar “bolsa crack”, com valores que variarão entre R$350,00 e R$ 900.00, para famílias de usuários da substância que estão em internamento compulsório, com o objetivo de serem cuidados no seio da família quando tiveram alta (?). (Fonte: Jornal EXTRA, 16NOV2012, Caderno CIDADE, p.5)
Fico assustada com tanta ignorância no meio político, ou melhor, em nosso meio, pois vejo surgirem alguns defensores tanto da internação compulsória como da tal bolsa que beneficia e estimula a propagação da dependência. Já que sabemos que a recaída é previsível o que fazer? Aumentar o valor do benefício? Continuar “jogando” esses jovens em quais espaços? São espaços adequados ao acolhimento, tratamento e reinserção social de quem já perdeu tudo? – inclusive a dignidade.
Que tipo de família, ou pessoas com laços parentais, será responsável pelo recebimento da bolsa crack?
A lógica do meu questionamento está fundamentada num caso real, vivido por mim num de meus plantões no HGB...
Ano 2008, plantão noturno no HGB, emergência, não existia “classificação de risco”, superlotação e todos os demais problemas enfrentados pela equipe... Eis que atendo na sala de medicação um menino, devia ter uns 13 ou 14 anos, apesar de sua estatura forte a queixa principal era dor de dente; atendido pelo médico plantonista cabia a eu aplicar uma injeção de dipirona IM... Sempre tive mania de conversar com meus pacientes, e brincando com ele consegui que, mesmo com a dor que sentia, o jovem me desse um sorriso... me assustei! Os dentes que, naquela idade, e, considerando ser um menino de aparência forte, estavam em péssimas condições, quebrados, escurecidos, a boca em todo seu contorno com marcas que o transformavam em um ser humano de dar dó. Resolvi aplicar meus conhecimentos em Intervenção Breve e detectei , ou seja, confirmei, o uso de crack. Isso mesmo, a dor de dente era proveniente do uso continuado da droga e não tínhamos dentista naquele plantão.
Pedi que ele esperasse e procurei o médico que fez o atendimento, a fim de dar ciência e buscarmos em conjunto a melhor solução para o problema que nos era apresentado e a oportunidade de aproveitarmos aquele momento de dor e quiçá fazermos o menino e a mãe compreenderem a importância de levar a termo o tratamento. O médico não queria se envolver, temia por trabalharmos tão próximos às comunidades, apenas ampliou o receituário, demandando agora uma injeção de dipirona via venosa e um voltaren IM.
Convencida de que poderia reverter aquele quadro de caos, apliquei a primeira medicação, expliquei que tudo seria apenas paliativo e que a dor voltaria... utilizando-me dos recursos da intervenção breve continuei os questionamentos e descobri que aquele jovem era usuário há cerca de 8 meses, que queimava as pedras diariamente. Perguntei, então, se ele queria ajuda e se a mãe tinha conhecimento, me propus a ajudá-lo a contar para sua mãe e a encontrar local para tratamento. O menino baixou a cabeça e ficou em silêncio; após aplicar a segunda medicação, as respostas vieram com maior confiança: “Tia, não consigo mais parar... minha mãe sabe... e ela queima pedras junto comigo e meu padrasto...”. O dever profissional me fez ouvinte passiva, pois não poderia, sem uma estrutura que me desse suporte, prosseguir a abordagem... Confesso que me senti impotente...
O caso é real e serve para que todos nós possamos entender a dinâmica do que acontecerá caso essa “bestialidade” seja aprovada. Para que tipo de família estarão transferindo a bolsa crack? R$ 900,00 nas mãos de uma mãe como essa nos causa indignação, pois sabemos bem quais as possibilidades de despesas com a droga, aumentarão significativamente o consumo “em família” e, ainda, seremos nós que pagaremos essa conta, concordam?

1 Pedagoga, Educadora Social e ex-funcionária do setor de emergência do HGB/Ministério da Saúde.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

MINHAS CARAMINHOLAS...


A CONSTITUIÇÃO CIDADÃ NA CORDA BAMBA
USOS E ABUSOS
Tania Loos1
Hoje acordei com aquela inquietação que me move em direção ao infinito (rs) ...
Com mil caraminholas na cabeça, busquei meu velho e bom Professor Cícero e, através de seus escritos, em Estudo Didático do Direito Constitucional (1992), comecei a vasculhar minhas concepções sobre fatos atuais.
Confesso que viajei na maionese, ao me perguntar “por que estudei Direito?”. Muitas respostas circularam, porém considerando que não sei se estudei Direito, direito, optei pela que mais me pareceu adequada, aquela que é comum ao meu jeito de ser, ou seja, para não me calar.
E foi, justamente, valendo-me de Cícero que (re)descobri o conceito de Poder e na acepção de Poder Nacional chamou-me ao desafio o Poder Psicossocial que é aquele caracterizado pelos recursos educacionais e promocionais, capazes de mobilizar o povo e sua plena adesão e integração aos objetivos nacionais.
Meu passeio prosseguiu, dei uma paradinha no Princípio da Supremacia Constitucional, fui adiante e encontrei o Controle da Constitucionalidade (preventivo e repressivo) e eis que me vi, nesse delírio vocacional, frente ao Supremo Tribunal Federal -STF (leia-se Joaquim Barbosa), posto que a ação direta de inconstitucionalidade cabe ao mesmo STF tão em “moda”, como guardião da Constituição Federal, competindo-lhe processar e julgar a arguição (art. 102, I, alíneas “a” e “p”), com a concessão ou não de medida cautelar.
Ai, ai,ai! Precisando do danado do rivotril... Não é aula de Direito Constitucional, o objetivo não é esse. A proposta é refletir sobre usos e abusos da Constituição Cidadã. Ao arrepio da ética a Carta Magna dança na corda bamba para atender segundo a conveniência do “Poder”.
Assim, vejamos: é inconstitucional a redistribuição dos royalties do petróleo, inconstitucionalidade requerida pelo mesmo “Poder” que pretende retomar práticas manicomiais para “tratar” dependentes químicos (usuários de crack), valendo-se da internação compulsória. Estarrecida lembro-me da situação do nosso precário sistema de saúde (passam cenas do depósito humano que se constituía a grande emergência de um dos maiores Hospitais Federais no Rio de Janeiro, onde trabalhei) e logo me questiono: o que realmente querem fazer? Qual a intencionalidade? Aos desavisados alerto quanto à possibilidade de a causa se transformar numa grande companhia de limpeza urbana...
Ora, sabemos que nos dois casos as implicações, os efeitos serão irreversíveis. Resta saber para que lado a nossa Constituição inclina ou se está usando sombrinha para garantir o ponto de equilíbrio.
Por enquanto, vou mesmo é me entregar aos efeitos estupefaciantes do facebook antes que fique doida de vez. Depois continuaremos essa conversa...

1 Pedagoga, Educadora Social