quarta-feira, 28 de novembro de 2012

UM PORTO SEGURO PARA O RIO DE JANEIRO... A NAU ESTÁ NA NÓIA



QUEM PAGARÁ ESSA CONTA?

Tania Loos1



O Governo Municipal anunciou a intenção de pagar “bolsa crack”, com valores que variarão entre R$350,00 e R$ 900.00, para famílias de usuários da substância que estão em internamento compulsório, com o objetivo de serem cuidados no seio da família quando tiveram alta (?). (Fonte: Jornal EXTRA, 16NOV2012, Caderno CIDADE, p.5)
Fico assustada com tanta ignorância no meio político, ou melhor, em nosso meio, pois vejo surgirem alguns defensores tanto da internação compulsória como da tal bolsa que beneficia e estimula a propagação da dependência. Já que sabemos que a recaída é previsível o que fazer? Aumentar o valor do benefício? Continuar “jogando” esses jovens em quais espaços? São espaços adequados ao acolhimento, tratamento e reinserção social de quem já perdeu tudo? – inclusive a dignidade.
Que tipo de família, ou pessoas com laços parentais, será responsável pelo recebimento da bolsa crack?
A lógica do meu questionamento está fundamentada num caso real, vivido por mim num de meus plantões no HGB...
Ano 2008, plantão noturno no HGB, emergência, não existia “classificação de risco”, superlotação e todos os demais problemas enfrentados pela equipe... Eis que atendo na sala de medicação um menino, devia ter uns 13 ou 14 anos, apesar de sua estatura forte a queixa principal era dor de dente; atendido pelo médico plantonista cabia a eu aplicar uma injeção de dipirona IM... Sempre tive mania de conversar com meus pacientes, e brincando com ele consegui que, mesmo com a dor que sentia, o jovem me desse um sorriso... me assustei! Os dentes que, naquela idade, e, considerando ser um menino de aparência forte, estavam em péssimas condições, quebrados, escurecidos, a boca em todo seu contorno com marcas que o transformavam em um ser humano de dar dó. Resolvi aplicar meus conhecimentos em Intervenção Breve e detectei , ou seja, confirmei, o uso de crack. Isso mesmo, a dor de dente era proveniente do uso continuado da droga e não tínhamos dentista naquele plantão.
Pedi que ele esperasse e procurei o médico que fez o atendimento, a fim de dar ciência e buscarmos em conjunto a melhor solução para o problema que nos era apresentado e a oportunidade de aproveitarmos aquele momento de dor e quiçá fazermos o menino e a mãe compreenderem a importância de levar a termo o tratamento. O médico não queria se envolver, temia por trabalharmos tão próximos às comunidades, apenas ampliou o receituário, demandando agora uma injeção de dipirona via venosa e um voltaren IM.
Convencida de que poderia reverter aquele quadro de caos, apliquei a primeira medicação, expliquei que tudo seria apenas paliativo e que a dor voltaria... utilizando-me dos recursos da intervenção breve continuei os questionamentos e descobri que aquele jovem era usuário há cerca de 8 meses, que queimava as pedras diariamente. Perguntei, então, se ele queria ajuda e se a mãe tinha conhecimento, me propus a ajudá-lo a contar para sua mãe e a encontrar local para tratamento. O menino baixou a cabeça e ficou em silêncio; após aplicar a segunda medicação, as respostas vieram com maior confiança: “Tia, não consigo mais parar... minha mãe sabe... e ela queima pedras junto comigo e meu padrasto...”. O dever profissional me fez ouvinte passiva, pois não poderia, sem uma estrutura que me desse suporte, prosseguir a abordagem... Confesso que me senti impotente...
O caso é real e serve para que todos nós possamos entender a dinâmica do que acontecerá caso essa “bestialidade” seja aprovada. Para que tipo de família estarão transferindo a bolsa crack? R$ 900,00 nas mãos de uma mãe como essa nos causa indignação, pois sabemos bem quais as possibilidades de despesas com a droga, aumentarão significativamente o consumo “em família” e, ainda, seremos nós que pagaremos essa conta, concordam?

1 Pedagoga, Educadora Social e ex-funcionária do setor de emergência do HGB/Ministério da Saúde.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

MINHAS CARAMINHOLAS...


A CONSTITUIÇÃO CIDADÃ NA CORDA BAMBA
USOS E ABUSOS
Tania Loos1
Hoje acordei com aquela inquietação que me move em direção ao infinito (rs) ...
Com mil caraminholas na cabeça, busquei meu velho e bom Professor Cícero e, através de seus escritos, em Estudo Didático do Direito Constitucional (1992), comecei a vasculhar minhas concepções sobre fatos atuais.
Confesso que viajei na maionese, ao me perguntar “por que estudei Direito?”. Muitas respostas circularam, porém considerando que não sei se estudei Direito, direito, optei pela que mais me pareceu adequada, aquela que é comum ao meu jeito de ser, ou seja, para não me calar.
E foi, justamente, valendo-me de Cícero que (re)descobri o conceito de Poder e na acepção de Poder Nacional chamou-me ao desafio o Poder Psicossocial que é aquele caracterizado pelos recursos educacionais e promocionais, capazes de mobilizar o povo e sua plena adesão e integração aos objetivos nacionais.
Meu passeio prosseguiu, dei uma paradinha no Princípio da Supremacia Constitucional, fui adiante e encontrei o Controle da Constitucionalidade (preventivo e repressivo) e eis que me vi, nesse delírio vocacional, frente ao Supremo Tribunal Federal -STF (leia-se Joaquim Barbosa), posto que a ação direta de inconstitucionalidade cabe ao mesmo STF tão em “moda”, como guardião da Constituição Federal, competindo-lhe processar e julgar a arguição (art. 102, I, alíneas “a” e “p”), com a concessão ou não de medida cautelar.
Ai, ai,ai! Precisando do danado do rivotril... Não é aula de Direito Constitucional, o objetivo não é esse. A proposta é refletir sobre usos e abusos da Constituição Cidadã. Ao arrepio da ética a Carta Magna dança na corda bamba para atender segundo a conveniência do “Poder”.
Assim, vejamos: é inconstitucional a redistribuição dos royalties do petróleo, inconstitucionalidade requerida pelo mesmo “Poder” que pretende retomar práticas manicomiais para “tratar” dependentes químicos (usuários de crack), valendo-se da internação compulsória. Estarrecida lembro-me da situação do nosso precário sistema de saúde (passam cenas do depósito humano que se constituía a grande emergência de um dos maiores Hospitais Federais no Rio de Janeiro, onde trabalhei) e logo me questiono: o que realmente querem fazer? Qual a intencionalidade? Aos desavisados alerto quanto à possibilidade de a causa se transformar numa grande companhia de limpeza urbana...
Ora, sabemos que nos dois casos as implicações, os efeitos serão irreversíveis. Resta saber para que lado a nossa Constituição inclina ou se está usando sombrinha para garantir o ponto de equilíbrio.
Por enquanto, vou mesmo é me entregar aos efeitos estupefaciantes do facebook antes que fique doida de vez. Depois continuaremos essa conversa...

1 Pedagoga, Educadora Social

MINHA MENSAGEM PARA FORMATURA DO INSTRUTOR JEFFERSON



Em, 27 de novembro de 2012.
Bom dia a todos, saudações Proerdianas!

Inicialmente, agradeço a DEUS pelo privilégio de ter sido uma das pioneiras do PROERD e, nessa oportunidade, poder sentir que minha trajetória profissional valeu a pena! Receber convite do Instrutor Jefferson me deixou honrada, porém por motivos alheios a minha vontade não poderei estar presente. Mas, tenham a certeza que me sinto feliz e orgulhosa por vocês concluírem o Programa culminando com esse evento que consagra, mais uma vez, a parceria entre a Polícia Militar, Escola, Famílias e Comunidade.
Peço, portanto, que o Instrutor Jefferson seja a minha voz, levando esta mensagem para todos vocês.
Alguns podem dizer que a formatura do PROERD é o marco final do Programa, eu digo que é agora que se inicia, com o primeiro passo, uma longa caminhada. E é nessa caminhada que vocês se revelarão agentes multiplicadores da prevenção ao consumo de substâncias químicas e violências que afetam negativamente nossa convivência em sociedade. Empoderar vocês para que se tornem críticos, para que tenham autonomia e sejam responsáveis pelas escolhas que farão é, sem dúvida, a essência do PROERD, então não terminamos... inicia-se uma nova fase na vida de cada um de vocês.
Hoje, cada estudante que recebe o certificado PROERD estará somando com centenas de milhares de crianças e jovens que há 20 anos, em todo Brasil, assumem o compromisso pessoal de se manterem livres, escreverem e protagonizarem suas histórias de vida de forma consciente.
Certo é que o sucesso desse evento se deve a pessoas especiais as quais apresento meus sinceros agradecimentos, pois, mesmo sem conhecer algumas delas, entendo que devo fazer valer o meu reconhecimento:
Ao Instrutor Jefferson pelo que faz e a maneira dedicada como faz. Você faz a diferença!
À Senhora Diretora da EM Presidente Wilson - Professora Eliane pelo apoio incondicional que oferece para que a prática do Instrutor ocorra com a desenvoltura necessária, na Unidade Escolar sob sua batuta.
Às queridas Professoras Márcia – da turma 1501 e Professora Silvina – Turma 1502, pela cooperação em sala de aula. Sem esta parceria afinada não seria possível efetivar as ações docentes.
A toda equipe de funcionários da Escola, porque entendo que todos são importantes no processo de construção de uma grande rede de proteção para crianças e adolescentes.
À Coordenadora Estadual do PROERD – MAJ Patrícia, pela forma de liderar a equipe e proporcionar aos Instrutores momentos como este.
Aos pais/responsáveis deixo meu agradecimento mais que especial, pois vocês acreditaram no trabalho do Instrutor Jefferson e confiaram seus filhos ao propósito de serem firmes em suas escolhas e decisões. Autorizando a participação de seus filhos, vocês se tornaram co-partícipes na modificação de um cenário que busca na cultura da paz a transformação social que tanto almejamos.
Por fim, a vocês queridos estudantes das turmas 1501 e 1502 deixo o meu carinho, os votos de muitas conquistas e um beijo em cada coração. Olhem sempre o mundo com o olhar inocente e vejam o amor e a cooperação como ferramentas para uma vida plena! Estou orgulhosa e compartilhando com vocês a minha alegria de saber que o Instrutor Jefferson cumpriu mais uma parte da missão que DEUS confiou a ele. Mesmo distante fisicamente, posso sentir toda a emoção que agora deve estar permeando o ambiente e, certamente, a felicidade de poder perceber o brilho nos olhos de vocês... esse brilho que sempre me fez acreditar que é possível um mundo mais justo, mais solidário e humanizado. Parabéns formandos! Amo vocês de amor!!!
Tania Loos - MAJ PM e Pedagoga

sábado, 17 de novembro de 2012

AS RELAÇÕES SOCIAIS NO TRABALHO E A SAÚDE PSICOLÓGICA DO PROFESSOR





ATIVIDADE FINAL – MINHA CONTRIBUIÇÃO
Tania Santos Loos [1] 


Complementar o texto apresentado contempla uma citação de Rubem Alves que refere: mas na profissão, além de amar tem de saber. E o saber leva tempo pra crescer.
Assim, compreendo que a disciplina nos fez caminhar em direção ao olhar introspectivo, tornando possível uma reflexão acerca de como se desenvolve nossa prática sobre o ato de enxergar o outro e a nós mesmos.
Como num jogo cooperativo, precisamos aprender a olhar o outro com inocência, isto significa exercitar a empatia, a alteridade e dessa maneira compreender que precisamos do olhar isento de preconceitos, de rótulos e daquele jeito superior de ver o outro; ao mesmo tempo em que se exercita esse olhar inocente consigo, permitindo-se as limitações, os erros e acertos, sem tanta cobrança.
Conforme constatado nos vários depoimentos dos colegas, nos fóruns e debates, percebeu-se o quanto importante é saber ouvir o outro e, sobretudo, saber ouvir nossas próprias emoções, sensações e inquietações, tornando possível modificarmos condutas, atitudes e conflitos que, muitas vezes, ao se relegar a plano secundário traz de legado a insatisfação e, por consequência, uma série de danos à saúde física e psicológica. Incluindo-se, aí, o conjunto de sinais e sintomas que permeiam a Síndrome de Burnout.
De acordo com Maslow, o trabalho atende a uma das necessidades básicas do homem (segurança), entretanto, ultrapassa esse limite alcançando na hierarquia proposta outros patamares, até o cume da pirâmide onde a necessidade de autorrealização o faz procurar ser aquilo que ele pode ser. É neste último estágio que Maslow considera que a pessoa tem que ser coerente com aquilo que é na realidade. Segundo o teórico: "... temos de ser tudo o que somos capazes de ser, desenvolver os nossos potenciais". E é, nesse sentido, que se reforça o pensamento de Martin-Baró, posto que, especialmente ao professor, cumpre a tarefa de uma ação transformadora da realidade e para que isso ocorra não bastam técnicas, conhecimentos e habilidades, é preciso antes investir em si mesmo.
Em minha concepção o homem em sua dinâmica com o trabalho precisa estar motivado, sentir-se valorizado e integrado em suas relações intra e interpessoais, pois somente assim reunirá condições para enfrentar os desafios que lhes são apresentados no cotidiano.





[1] Pedagoga, Educadora Social, Aluna CEDERJ

SÍNDROME DE BURNOUT



SEDIMENTANDO O CONCEITO NUMA SÍNTESE CRÍTICA

Tania Santos Loos[1]

            Inicialmente, importante referir que não é tarefa fácil definir o que seja a Síndrome de Burnout. Isto porque definir pressupõe uma verdade absoluta, é dizer o que a coisa é. E, em se tratando de uma Síndrome, é preferível falar-se em conceituação, ou seja, uma explicação possível de ser construída a partir dos textos de apoio e discussões nos fóruns, podendo ser contestada, acrescentada e/ou modificada.
            Na essência do termo, Síndrome é o conjunto de sinais e sintomas vinculados a uma mesma patologia, que avaliados agregadamente permitem compor um diagnóstico ou quadro clínico de uma condição do sujeito. Pode-se, inclusive, afirmar que síndrome não é doença, mas uma condição médica.
            Especificamente, a Síndrome de Burnout, também conhecida como Síndrome do Esgotamento Profissional, foi denominada, no início dos anos 70, pelo psicanalista Freudenberger, que a descreveu após constatá-la em si mesmo.
A fim de consolidar o entendimento ora apresentado, conveniente citar que Maslach e Jackson (1981), mencionados em vários estudos, definem a Síndrome de Burnout e, ao mesmo tempo, apresentam as dimensões conceituais da mesma conforme a seguir descrito:
Uma reação à tensão emocional crônica gerada a partir do contato direto e excessivo com outros seres humanos, particularmente quando estes estão preocupados ou com problemas. Cuidar exige tensão emocional constante, atenção perene; grandes responsabilidades espreitam o profissional a cada gesto no trabalho. O trabalhador se envolve afetivamente com os seus clientes, se desgasta e, num extremo, desiste, não aguenta mais, entra em Burnout.
A síndrome é entendida como um conceito multidimensional que envolve três componentes:
1) Exaustão Emocional – situação em que os trabalhadores sentem que não podem dar mais de si mesmos a nível afetivo. Percebem esgotada a energia e os recursos emocionais próprios, devido ao contato diário com os problemas.
2) Despersonalização – desenvolvimento de sentimentos e atitudes negativas e de cinismo às pessoas destinatárias do trabalho (usuários/clientes) – endurecimento afetivo, ‘coisificação’ da relação.
3) Falta de envolvimento pessoal no trabalho – tendência de uma ‘evolução negativa’ no trabalho, afetando a habilidade para realização do trabalho e o atendimento, ou contato com as pessoas usuárias do trabalho, bem como com a organização.[2]

De forma geral, é possível elencar como principais sinais de Burnout: a) necessidade de se afirmar; b) dedicação intensificada - com predominância da necessidade de fazer tudo sozinho; c) descaso com as necessidades pessoais - comer, dormir, sair com os amigos começam a perder o sentido; d) recalque de conflitos - o portador percebe que algo não vai bem, mas não enfrenta o problema. É quando ocorrem as manifestações físicas; e) reinterpretação dos valores - isolamento, fuga dos conflitos. O que antes tinha valor sofre desvalorização: lazer, casa, amigos, e a única medida da autoestima é o trabalho; f) negação de problemas - nessa fase os outros são completamente desvalorizados e tidos como incapazes. Os contatos sociais são repelidos, cinismo e agressão são os sinais mais evidentes; g) recolhimento; h) mudanças evidentes de comportamento; i) despersonalização; e, j) vazio interior. Depressão - marcas de indiferença, desesperança, exaustão. A vida perde o sentido.
Seus sintomas mais comuns são: fortes dores de cabeça, tonturas, tremores, muita falta de ar, oscilações de humor, distúrbios do sono, dificuldade de concentração, problemas digestivos (físicos), na esfera psicológica verifica-se a ausência de alguns fatores motivacionais: energia, alegria, entusiasmo, satisfação, interesse, vontade, sonhos para a vida, ideias, concentração, autoconfiança e humor.
Conforme pontuado em diferentes narrativas feitas por colegas, no fórum de discussão, contatou-se que o professor acometido por Burnout apresenta um quadro clínico que lhe impõe consequências pessoais e sociais significativa, sendo, em minha concepção, a de maior gravidade a tendência ao isolamento e desmotivação e, via de consequência, a negação da própria doença, fazendo agravar o quadro e seus comprometimentos/desdobramentos.
Ressalta-se, portanto, a urgência com que a questão precisa ser tratada sob pena de não o fazendo termos a escola esvaziada em decorrência de professores doentes, que ampliam o fosso entre a escola que temos e a escola que pretendemos, engrossando as estatísticas de estudantes desmotivados, que abandonam a vida acadêmica em função de uma relação professor-aluno afetada pelo conjunto da Síndrome de Burnout.
Por fim, são registrados dois links considerados interessantes para acesso e consulta para o aprofundamento do tema:





[1] Pedagoga, Educadora Social, Aluna do Curso de Extensão-CEDERJ
[2] Por Codo, Wanderley e Menezes, Iône Vasques – O QUE É BURNOUT? Disponível em http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/jornaldoprofessor/midias/arq/Burnout.pdf

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

É livre a manifestação do pensamento, vedado o anonimato


                                      FRAGMENTAR PARA REDUZIR A FORÇA

                                                                                                                                               Tania Loos
                                                                                                               loos_consultoria@yahoo.com.br

A fragmentação da Solenidade de Formatura dos alunos que concluíram o Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia (2011/2 e 2012/1), na UERJ, em quatro pequenos eventos na Capela Ecumênica, tem o cheiro da podridão que permeou todo processo de legitimação do Curso, do descaso das “autoridades” e, sobretudo, do firme propósito de desmoralizar a modalidade EAD. Isso nos impõe algumas reflexões: Somos menos importantes que os alunos do Curso Presencial?; por que nossa formatura não se caracteriza pelo glamour costumeiro nas formaturas dos cursos presenciais? por que uma Universidade, como a UERJ, desvaloriza dessa maneira uma Solenidade que reuniria gente de todos os cantos do Estado do Rio de Janeiro?; quem lutará pela Educação a Distância de qualidade, tão propagada nos discursos ideológicos e hipócritas? Elencaria mais “n” inquietações, mas vou ficar por aqui...
A realização de quatro pequenos eventos, em local inadequado, por não comportar mais que 50 a 60 pessoas, nos impedirá de convidar familiares, professores, amigos e parceiros (como foi o Jornalista Lauro Neto).
O desconforto do sentimento de menos-valia conduz o teor dessa escrita e me envergonha de constatar que, no meio acadêmico, pessoas incompetentes se permitem o jogo sujo de desestabilizar, desarticular e desmotivar um grupo de estudantes sonhadores, mas que tem plena consciência do medo da crítica que eles sentem e demonstram através de suas atitudes preconceituosas e práticas excludentes.
Somos mais EAD, Magnífico Reitor! Temos orgulho das nossas conquistas, das horas dedicadas ao autoconhecimento e produções muitas vezes solitárias.
Fragmentar a Formatura foi um grande erro, pois, certamente, a falta de respeito que nos decepciona, também nos torna ainda mais fortes. O glamour que nos é negado, não nos tirará o brilho nos olhos e sequer irá interferir na nossa dignidade, pois esta não estará na mesa de negociação jamais!
Parabéns a todos os formandos! e, aos “Dirigentes” da UERJ o meu mais solene...


1 Pedagoga, Educadora Social, Pós-Graduanda em D.A.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

“ A ESCOLHA DA PROFISSÃO DOCENTE”


“ A ESCOLHA DA PROFISSÃO DOCENTE”
Tania Loos[1]
loos_consultoria@yahoo.com.br


            Minha escolha profissional se deu em decorrência da necessidade de ampliar meus conhecimentos na Área da Educação em face de minha atividade profissional inicial ter se voltado para a atuação em salas de aula, através de um Programa de “Educação Preventiva”.
            Em que pese, na infância, ter como referencial minha professora – Noêmia Regina da Fonseca Cravo, que até hoje é um exemplo de profissional competente na “arte de ensinar” e que se tornou inesquecível, minha opção pela Pedagogia foi se construindo ao longo dos anos de 1992 a 2004, período em que comecei a atuar como Docente de um dos maiores Programas de Prevenção às Drogas e Violência do Brasil, o Programa Educacional de Resistência às Drogas e Violência (PROERD), desenvolvido pela Polícia Militar em parceria com as Escolas e Famílias.
No ano de 1992, após concluir o curso de Instrutores, ministrado por equipe do Departamento de Polícia de Los Angeles (EUA), iniciei minha jornada em escolas nos Municípios de Niterói, São Gonçalo, Nilópolis e Petrópolis. A proposta de trabalhar um currículo preventivo com crianças me conduziu a muitos questionamentos sobre meu papel em sala de aula. O que eu estava fazendo ali? Ensinando, educando ou fazendo meramente controle social? Que papel me destinava o Programa, posto que alguns professores não acolhiam a ideia de um Policial Militar em sala de aula e entendiam minha atuação como uma forma de controlar os mais “indisciplinados”? Comecei, então, a compreender melhor a importância do papel social de um Educador.
De 1992 a 1995, em sala de aula, foi se consolidando o desejo de fazer a diferença no cotidiano e na vida daquelas crianças que estavam em formação, precisavam de autonomia e criticidade para elaborarem suas escolhas pensando nas consequências; precisavam, na maioria das vezes, de alguma coisa para além das informações, pois eram carentes de tudo, especialmente de afetos. Foram muitas as experiências positivas lidando com professores nessas escolas e outras vivências aumentaram minhas inquietações acerca de como esse processo ensinagem-aprendizagem deveria percorrer caminhos éticos, já que um olhar mais atento revelava uma intencionalidade velada e surgiam novas questões: estava ali para formar ou deformar sujeitos em plena construção de suas habilidades e competências para a cidadania?
            Minhas críticas ao currículo do PROERD me levaram a uma luta solitária, pois era preciso revisar os conteúdos, modificar os textos imagéticos permeados de mensagens subliminares, enfim, desconstruir o modelo americanizado e adaptá-lo à nossa realidade. Lembro que, numa das reuniões de Coordenadores do Programa, um deles chegou a mencionar que eu não estava apta a discutir essas questões, pois minha formação em Direito não dava legitimidade à minha “fala” já que não era uma “pedagoga”, acredito que essa referencia foi o meu maior desafio.
            Assim, de 2000 a 2004, procurei estudar todas as Teorias que fundamentavam o PROERD, dialoguei com Wallon, Piaget, Vygotsky, Paulo Freire e outros autores estudiosos do tema, abrindo com essas contribuições minha visão sobre a intencionalidade do currículo e fiz, guardadas as devida proporções ante as minhas limitações do fato de “não ser Pedagoga”, as adaptações curriculares para que o PROERD deixasse de ser uma mera reprodução de um modelo americano e passasse a ser um ponto de partida na construção de uma Rede de Proteção Social para jovens estudantes.
            Em 2008, enquanto Coordenadora Estadual do Programa, decidi voltar aos bancos universitários e em 2011 concluí o Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia (já não integrava mais os quadros do PROERD) e, hoje, tenho a confirmação de que minha identidade social e o sentimento de pertencimento ao grupo de profissionais que convivem comigo, atualmente, sem dúvida, fortaleceu minha autoestima já que é nesse grupo que encontro eco para minha voz na luta pela qualidade das ações educativas e pela dignidade de nossas crianças e adolescentes.
            Por fim, posso garantir que fiz a escolha mais acertada da minha vida, pois minha formação enquanto Pedagoga interfere positivamente tanto no campo pessoal como no profissional.



[1] Ex-Coordenadora Estadual do PROERD, Bacharel em Direito, Pedagoga

domingo, 26 de agosto de 2012

O que estão querendo fazer com nossas crianças?

Assim não consigo me calar, não dá pra ser omissa quando a questão é relevante. Textos imagéticos tem uma força imensa na construção do conhecimento. Por favor, Pedagogas que tenham visão acerca do risco de mensagens subliminares, aproveitem o encontro e discutam o que está sendo transmitido para nossos estudantes. Se antes eu criticava um "Leão" anabolizado precisamos atentar para a nova i
magem que possui garras afiadas, com dedo em riste e a outra pata cerrada como se fosse desferir um soco. Como construir uma "cultura de paz" se nas entrelinhas dos discursos usados só se fala em "luta", "guerra às drogas"? Quem sabe não é hora de se pensar um Mascote com a cara do Brasil? Através da linguagem imagética pode-se construir uma mensagem positiva, assertiva e promotora da resiliência.
Sucesso na nobre missão de educar exige formação, atualização e, sobretudo, conhecimento pedagógico. Estar em sala de aula é fundamental para que se conheça a força que o PROERD tem, logo, não pode sair por aí divulgando mensagens subliminares. Por favor, Educadores de todo Brasil, manifestem seus conhecimentos em  benefício da excelência de um Programa que pode ser referencial na educação preventiva. Não podemos permitir que alguns Instrutores e Gestores permaneçam no pedestal de "Salvadores de Pátria" achando que usar técnicas de amedrontamento surtirá o efeito desejado. Não queremos "Lutar contra as drogas" queremos conversar sobre drogas! O poder da linguagem imagética é muito forte, então por favor pensem nas imagens que esão fazendo difusão e que estão permeadas de mensagens subliminares. Alguém pode me dizer o que significa trabalhar com isso?









terça-feira, 15 de maio de 2012

terça-feira, 8 de maio de 2012

quinta-feira, 3 de maio de 2012

domingo, 29 de abril de 2012

PARA QUE SERVE UM COPINHO DESCARTÁVEL DE CAFÉ?


A FLAGRANTE CONTRADIÇÃO NAS RELAÇÕES DE TRABALHO NUMA INSTITUIÇÃO 

Muitos, como minha querida colega Deise Candreva, responderão: para beber o café e descartar o copinho, ora.
Sim, seria essa a lógica!
Algumas pessoas, ditas paranormais, em outras culturas, fazem previsões com a borra do café no fundo de recipientes, entretanto, nunca soube que usassem copinhos descartáveis de café para tal.
Também já observei que o copinho descartável de café pode ser como BOMBRIL e ter 1001 utilidades como servir de organizador para pequenos objetos, separador de medicamentos (comprimidos) para distribuição aos pacientes de emergências e enfermarias superlotadas, dosador, base para trabalhos artesanais, doce de colher, nas Escolas de Educação Infantil tem um relevante papel na primeira experiência científica das crianças que poderão acompanhar a evolução da vida de um pé de feijão etc.
Mas, há 30 anos, o copinho descartável de café tinha uma utilização inusitada: a ele todo “poder” de decidir pela permanência ou não da mulher na carreira policial militar no Rio de Janeiro.
Numa flagrante contradição da Instituição disposta a ter a força do trabalho da mulher, mensalmente e aleatoriamente, o copinho descartável de café nos era entregue para coletar o “xixi” que deveria ser negativo (-) para gravidez.
Entender tal prática era difícil, porém não podíamos (?) questioná-la. O período era ainda conturbado, o ditado popular da época era incisivo “manda quem pode, obedece quem tem juízo”.
Éramos jovens, sonhando com o pioneirismo que nos fazia inertes frente às questões que suscitassem a possibilidade do entendimento de “indisciplina”. Não havíamos desenvolvido plenamente nossa capacidade crítica acerca da publicidade de situações discriminatórias, excludentes e, sobretudo, atentatórias aos direitos da mulher trabalhadora trabalhadora (garantidos desde a CLT – Art. 391. Não constitui justo motivo para a rescisão do contrato de trabalho da mulher o fato de haver contraído matrimônio ou de encontrar-se em estado de gravidez.), mas a Lei não se aplicaria em nosso caso (?).
Mais parecia que ser policial reivindicava, de todas nós, a renúncia aos paradigmas da modernidade, aos avanços obtidos por nossas precursoras na história da ocupação de novos espaços pela mulher.
Pois foi assim que copinhos descartáveis de café assumiram mais uma identidade utilitária: receptores de urina, que, nos dias de hoje, posso chamar de “xixi” amargo da oposição aos Direitos Constitucionais que livram a mulher de certos constrangimentos.
Tania Loos
Em, 29/ABR/2012

A ÉTICA MANIQUEÍSTA

Há muito deixei de acreditar em ética maniqueísta.

Luto contra a ética do "não". É preciso romper com a hipocrisia, com a chamada ética do certo ou errado.

"Não matarás"! Isso é pouco...

Por: Tania Loos


sexta-feira, 27 de abril de 2012

MULHER PIONEIRA - LOCOMOTIVA 36 MIL


3 LETRAS E UMA QUESTÃO DE GÊNERO

Já fui chamada de louca, guerrilheira, porém prefiro dizer que não sou assim, sou tão somente firme nos meus propósitos, exigente no cumprimento de direitos e deveres e uma guerreira-sonhadora.
Assim, num dos meus delírios ideológicos, insone, resolvi contar um fato que havia se perdido no tempo e me foi trazido à memória por minha amiga Marta, em 17 de março de 2012 – quando saíamos do evento em comemoração aos 30 anos da Turma Maria Quitéria (pioneiras na Força Policial do Rio de Janeiro).
Gente! Como uma sigla, apenas três letrinhas, tinha o poder de alterar o curso de uma história?
Pois é, apenas três letrinhas, no ano de 1983, impediram que nós mulheres realizássemos as provas para o concurso que estávamos inscritas – o CFC/QPMP-6. Isso mesmo! Fomos impedidas, cerceadas do direito de fazer as provas para o Curso de Formação de Cabos do Quadro de Saúde por sermos Soldados Policiais Militares FEM.
Éramos umas dez, com formação específica, capacitadas tecnicamente para o exercício das funções, inscritas para o certame, mas éramos FEM e, de acordo com as informações que nos passaram trinta minutos antes de a prova ser iniciada, o concurso se destinava aos soldados Policiais Militares (o edital também não fazia referência ao detalhe de gênero – nele não se inseria nenhuma observação que especificasse o gênero masculino, não havia letrinhas discriminatórias).
Dizem que contra a força não há argumentos, mas também é certo que o Direito não ampara aos que dormem.
Inaceitável... 3 letrinhas não poderiam ter a força de nos barrar e modificar a história que ainda escreveríamos!
Como olharíamos para a sociedade carioca? Com a cara de quem se acomodou ante um ato institucional “não pensado” e permeado pelo discurso hegemônico da distinção de gênero?
Claro que não!!!
Tentamos juntas, de todas as formas possíveis, reverter ali mesmo a situação, mas não conseguimos êxito na empreitada, apesar de os Oficiais responsáveis pela aplicação das provas mostrarem-se simpáticos aos nossos argumentos. Era sabido: ordem dada é ordem cumprida, não havia chance de mudança naquele momento tenso.
Saí do CFAP direto para o QG e apresentei ao Diretor da DEI toda nossa indignação fundamentando minhas razões e pleiteando a tão sonhada igualdade, contudo sem perder de vista os princípios da hierarquia e disciplina.
Minha voz encontrou eco e no mesmo dia as provas realizadas pelos homens foram anuladas, o concurso adiado aguardando nova publicação em BOL PM. Pela primeira vez, na PMERJ, uma mulher iniciava, mesmo sem plena consciência da importância futura para o quadro feminino, um movimento de igualdade, de valorização da força do trabalho feminino na Instituição. Mais tarde, esse fato serviria de parâmetro para novas demandas.
Inaugurou-se nesse dia uma nova cultura na Caserna e eu no meu mergulho interior sinto-me, hoje, mais forte para continuar contando histórias!

Tania Loos 
Em, 27ABR2012

sábado, 21 de abril de 2012

Para refletir!

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Para refletir!

domingo, 18 de março de 2012

3ª CIA SENTIDO! LOCOMOTIVA 36 MIL

Quantas vezes o cheiro de um bolo quentinho já nos levou imediatamente à casa de nossas mães ou avós? Quantas de nós já saborearam a sensação de voltar no tempo ao sentir o cheiro de chuva na terra ou de um simples perfume?
Confesso que o insight que eu precisava para sair da inércia foi a foto postada pela Kátia Camassari no Facebook (na era digital é assim mesmo... é o poder das Redes Sociais) para iniciar meu exercício de memória.

(Foto do acervo pessoal de Kátia Camassari)

Bom lembrar que Memória não se refere aos aspectos psicológicos ou neurológicos, não pretendo abordar questões acerca da construção da memória. Meu interesse é retratar e refletir sobre a importância da memória coletiva ou memória social, que é o conjunto de lembranças e referências culturais comum a um determinado grupo, aqui, especificamente, a Turma Maria Quitéria, policiais militares femininas pioneiras da PMERJ.
É possível que, sendo a memória seletiva, algumas colegas tenham visões diferentes e distintas sobre os fatos, porém, continuarei o percurso, posto que nossas recordações, individuais ou coletivas, são, certamente, a expressão de nosso lugar no mundo.
Somos sim parte da História da gloriosa PMERJ e, como pioneiras, dela temos orgulho. Almejamos que nossas lembranças, nossas recordações sejam, de verdade, o marco histórico dos últimos trinta anos na formação da identidade coletiva da mulher nas Forças Policiais Militares.
Fechei os olhos e deixei fluir minha volta ao passado. Como num trem que parte da gari, a viagem foi lentamente iniciada. Algumas paradas nas estações do tempo me trouxeram alguns nomes que precisam ser lembrados com carinho: Ana Fausto, Lourdes, Isabel e Marília. Não estão mais entre nós, mas estiveram lá, jamais serão esquecidas.
Outros nomes não podem deixar de figurar, pois elas também estiveram conosco: Lenawaine, Mara, Inah, Iná Dias, Ana Cláudia, Luzia, Maristela Ribeiro, Fátima Coimbra, Adalgiza, Glória, Maria Helena, Juciara, Ilma, Elenice, Elirdes, Auxiliadora, Valéria (salva vidas de aquário, carinhosamente), Zilda ... seguiram outros caminhos, mas deixaram suas marcas.
Por alguns instantes o exercício me deixou paralisada nas estações, mas era preciso retomá-lo e o apito do trem lembrava que era hora de prosseguir viagem.
Outros acontecimentos, novos cheiros, novos bolinhos iam e vinham, oscilando entre o que é meu e o que é nosso.
Uma trajetória de 30 anos concita a mente a trazer recortes inesquecíveis como o olhar vibrante-assustado da Regina (Chefe de Turma do 3º PEL), a promoção da CB Mara e o orgulho de ter uma de nós como representante na EsFO a SD Célia - ela mais uma vez foi pioneira, hoje Coronel Célia – Comandante do 39º BPM, quanto orgulho nos inspira!
Impossível não recordar minha mãe, que não cabia em si de tanta alegria, colocando em meu uniforme a plaqueta de identificação com meu RG. Nossa! A plaqueta com o contorno do GRP (Guarda Real de Polícia) é relíquia, peça para o Museu. Aliás, já fazemos parte do acervo e nenhum outro sítio histórico recusaria peça rara, rica em ética e estética.

(Foto do arquivo pessoal de Tania Loos)

Mais uma vez o apito soou... Hora de avançar (retroceder) na trajetória proposta.
Algumas personagens da história serão sempre inesquecíveis. Corridão com o SGT Carneiro, Taekwondo do Mestre Lee (confesso que me dediquei menos do que deveria ao TKD), as aulas no stand com o SGT Gouveia e a famosa Ordem Unida do SGT Salaciê – acredito que, como eu, muitas não gostavam de ficar rodopiando na avenida da 3ª CIA atendendo ao comando de esquerda, direita, meia volta volver. É certo que na época me perguntava “como aquilo poderia ser útil à sociedade?”. A resposta ocorreu apenas com o tempo, pois o SGT Salaciê nos ensinou com a firmeza necessária o que é espírito de corpo, trabalho em equipe, a soma de esforços de um grupo de mulheres vitoriosas.
Um dos integrantes desse time merece destaque e homenagem especial ao estilo de campeão de Copa do Mundo. Matava no peito, para tudo e para todas igualmente ele tinha a solução. Não temia nossos momentos mais femininos e com seriedade cuidava de tudo. Jamais vi o SGT Íris perder a paciência, sua sabedoria nos ensinou a viver e conviver em harmonia com o novo modelo que a PM nos apresentava: o militarismo sem perder de vista que somos mulheres guerreiras. O Íris deveria ser incluído no livro dos recordes, pois, embora muitos homens afirmem a dificuldade de lidar mensalmente com uma mulher na TPM, ele enfrentou 153.
O piui do trem me leva e no zig zag das curvas do tempo lembranças inconfundíveis são retomadas.
Lembranças de uma quarta feira (meio expediente) quando fui abrir um crediário para uma compra, no mínimo, inusitada para a ocasião. Comprei meu primeiro cavaquinho, um violão para Iná Dias e um Sax para Ana Cláudia. A loja, em Cascadura, parecia um parque, foi uma tarde de diversão, sobressaindo a Ana Cláudia com medo de ficar bicuda. Não sei se ela aprendeu a tocar sax, só sei que Iná um dia emprestou o violão a um amigo que não devolveu mais o instrumento e eu... ah! Eu nunca aprendi, fiquei com meu primeiro e único cavaquinho guardado por muito tempo em cima do armário.
Até hoje não sei se a Mara, depois de passar pela pista de ODIT – Organização de Defesa Interna e Territorial, teve uma congestão, insolação ou se como diria a velha cultura “estava armando”, só sei que nada como uma boa dipirona intramuscular para fazer qualquer uma de nós segurar o corpito na falsa baiana.
A Cia parecia estar envolvida por um manto protetor, tudo era diferente, tudo e todos seguiam corretamente os parâmetros traçados para a formação da primeira turma de policiais militares (FEM). Não existia comunicação entre recrutas da 3ª Cia e as demais. É claro que a separação não deve ser entendida como segregação ou privilégio, pois perpassa essas questões. O que existia era excesso de zelo, afinal era a primeira vez que a PM recebia a mulher em seus quadros como militar, era a primeira vez que o toque feminino invadia o CFAP e isso nos permitiu ter em nosso meio duas pessoas muito especiais - Dona Edith e Dona Jussara. Muitas vezes elas ouviram nossas angústias, vibraram com nossas conquistas e foram parceiras. Hoje, podemos gritar alto e com raça: Bendita és tu ó redoma que nos fez assim!
Uma paradinha no velho casarão com 153 mulheres enfurecidas com a surpresinha que nos foi feita (bomba de gás lacrimogêneo) só com chá de erva doce ou camomila, que o digam os Comandantes dos Pelotões.
Gonzaguinha estourava nas rádios e algumas de nós compartilhávamos o sucesso dele na casa da Ana Mery, em Bento Ribeiro, cantando “Viver e não ter a vergonha de ser feliz...”
E o artista deixou de legado mais uma canção que permeia minha história e sei que pode ser compartilhada com todas, não apenas 36 mil “começaria tudo outra vez, se preciso fosse...”
De novo retomo a viagem no trem das pioneiras e pergunto: quem de nós poderia esquecer algumas expressões ainda tão arraigadas?
Do CAP Siston – Subcomandante da 3ª CIA e Comandante do 1º Pelotão: O sorriso escapou várias vezes antes mesmo que pudesse decidir.
Do TEN Egberto – Comandante do 2º Pelotão: “ô militar, ô militar”.
Do TEN Antunes – Comandante do 3º Pelotão: “Chefe de turma, 3º Pelotão em forma!”
Dois outros nomes surgem para integrar o rol dos inesquecíveis: TEN Horsae e TEN Roberto Almeida, também fazem parte da História.
A cena é ímpar e, certamente, inesquecível: intervalo após o almoço, hora de descansar, descontrair e desacelerar um pouco. Desacelerar, descontrair? Margarida e Aracélia não perderam tempo, com uma vassoura e uma toalha Margarida se tornou a porta-bandeira naquele desfile que tinha como público uma turma de mulheres em formação e aluno é sempre aluno, em qualquer idade, qualquer espaço. Aracélia vestiu a camisa de Mestre-Sala e a bateria de palmas ao fundo dava o ritmo. O desfile estava impecável quando ele nos surpreendeu! Sua voz firme e serena, seu olhar de espanto aliado à indignação acerca do que estava ali ocorrendo soltou a expressão mais contundente que nossas alminhas descontraídas e felizes poderiam ouvir: Não foi isso que eu ensinei!!! Mas, valeu; e, como valeu CAP Pacheco, nós aprendemos direitinho e hoje agradecemos todos os seus ensinamentos.
Depois dessa parada na estação “PACHECÃO”, só resta retornar ao ponto de partida, ou seja, o momento presente e agradecer ao Ilmo Sr. Comandante Geral CEL PM Erir Ribeiro Costa Filho e seu staff pela demonstração de carinho, respeito e compromisso com a força de trabalho feminino nos quadros da PMERJ.
Alguns fatos, coisas e, sobretudo, pessoas estarão para sempre gravados em nossos corações e em nossas memórias.

Ano 30 da Turma Maria Quitéria.
Rio de Janeiro, 17 de março de 2012.

Tania Loos

terça-feira, 13 de março de 2012

UPA 19 REALENGO/RJ

UPA 19 - Realengo: Ainda existe esperança!

Dormi às 04:00h (já aprendi a conviver com a Dona Insônia) e fui acordada as 06:00h pela Belle, queimando em febre de 39,5. Todos os sintomas informados sugeriam um quadro de DENGUE e como de médico e louco todos nós temos um pouco dei dipirona, fiz compressas, banho frio... mas, a danada da febre não cedeu. Sabia que a UPA tem um dos melhores protocolos para dengue e foi pra lá que fui, apesar da resistência e do preconceito que tentamos esconder. Minha concepção estava correta? Agora sei que não e descobri isso na UPA 19 - Realengo. O cenário era previsível. O caos estava ali instalado, crianças desnutridas, chorando, vomitando, um clima de histeria coletiva pairava no ar. Acompanhantes irritados, palavrões, chama a polícia, pedidos velados de socorro e uma grande onda de insatisfação porque os resultados de exames saiam em duas horas. Ora, duas horas de espera pelo resultado de um exame e estavam reclamando de quê? Aguardei e o diagnóstico foi confirmando, minha filhinha está "dengosa". Mas, o que quero ressaltar, aqui, é que por detrás dessa cortina de fumaça que o sistema nos impõe (a todos - ricos/mediados/pobres; negros/ amarelos/brancos; crianças/adultos) ainda resta esperança. Pois, rompendo com concepções equivocadas, considero que em nenhum outro hospital minha filha receberia atendimento mais adequado. Para além de qualquer protocolo o atendimento foi exemplar. Com a Bellinha devidamente medicada, hidratada e orientada pela Dra Maria Donizete M. Brandão e equipe de enfermagem da UPA-Realengo voltei para casa com minha filha. É preciso reconhecer o profissional dedicado e atencioso, uma pena que a população de forma geral não veja assim. Meu sincero agradecimento a todos.
Tania Loos